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JORNAL DO GNV
Desde: 18/07/2004      Publicadas: 1      Atualização: 18/07/2004

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 GNV
  18/07/2004
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Roubo do Gás no Rio grande do Norte
Gente os roubo de kit gás natural em Natal tá demais.Uma passarinho mim falou que tem até converdedora homologada palo inmetro envolvida.
Quero ver onde tudo isto vai da!!
por: Augusto Gomes
Brasil


Domingo 18julho de 2004,
Polícia descobre fraude no Detran em Natal

Auguto gumes

A polícia vem registrando altos índices de roubo de kits de gás natural veicular (GNV). Foram 446 ocorrências em 27 meses, apenas na Grande Natal. Um dossiê em poder do Ipem/RN e do Inmetro, no Rio de Janeiro, mostra que esse tipo de roubo pode estar ligado a uma rede criminosa que envolve empresas potiguares que comercializam cilindros de gás roubados e usam notas fiscais frias. O diretor do Ipem no Estado, Augusto Targino, acredita que os bandidos encontram facilidades junto ao Detran para esquentar os kits roubados. "Encontramos notas de oficinas que fecharam há dez anos e o Detran aceitou a documentação", afirmou.
A polícia registrou 101 roubos de carros movidos a GNV em 2002. Esse número, nos oito primeiros meses de 2003, saltou para 266. Este ano, até ontem, foram prestadas 79 queixas apenas na Grande Natal. O número pode ser maior no interior, onde a frota de carros com esse combustível é de 9.165 veículos.

Os kits são roubados por quadrilhas que desmancham as peças e depois abandonam os carros. A maioria dos donos recupera o veículo, mas o kit gás, um equipamento caro, que custa em média dois mil reais, acaba no mercado paralelo. É aí que entram as oficinas clandestinas, que não tem o certificado de autorização do Inmetro. Existe a suspeita ¿ amparada por um dossiê com mais de 300 páginas ¿ de que algumas oficinas instalam cilindros roubados e emitem notas frias. O Detran seria omisso ao aceitar documentos de empresas não autorizadas pelo Ipem.

A pessoa interessada em instalar o kit gás tem que submeter o veículo a uma pré-vistoria no Detran. O órgão analisa os documentos do carro, a nota fiscal do produto e faz a vistoria. Segundo Augusto Targino, o Detran deveria impedir que cilindros de empresas irregulares fosse instalados, mas isso não acontece. "O Detran está emplacando tudo, mesmo de oficinas não credenciadas. Esses carros não deveriam obter nem o selo, nem o certificado, mas algumas oficinas estão recebendo tudo. O Detran está recebendo nota de empresa que está fechada há mais de dez anos", denunciou o diretor do Ipem. E não seria difícil identificar as empresas legais, porque são apenas 12 em todo o Estado.

Outro ponto vulnerável está nos Organismos de Inspeção Credenciados, os OIC, que são responsáveis pela vistoria dos kits. Os OIC atestam se o kit obedece as normas de segurança do Inmetro. São apenas três empresas credenciadas no Estado: o Seiv, o Cipetran e o Inspetrans. Elas cobram R$ 65 para fazer a fiscalização, mas existem indícios que kits com documentos falsos e de empresas irregulares passam pela fiscalização.

A Tribuna do Norte teve acesso a um processo no qual o Detran autorizou a conversão de um carro com nota fiscal da empresa E. da S. Costa Injeção Eletrônica, que não é homologada pelo Ipem. Pior, quando o mesmo carro foi vistoriado e liberado pelo Inspetrans, no mesmo dia, o motorista recebeu um documento dizendo que a instalação foi feita pela Mundo Gás LTDA, uma empresa autorizada para fazer o serviço.

Vinte e três oficinas irregulares continuam abertas
Em Natal existem 38 oficinas de conversão para gás natural veicular, mas apenas 15 estão regularizadas e autorizadas pelo Ipem. As outras 23 trabalham de forma irregular, porque não atenderam aos pré-requisitos do Inmetro. Essas oficinas irregulares foram autuadas, algumas pagaram até multa, mas continuam abertas porque o órgão não têm como fiscalizar todas as empresas.

O diretor do Ipem, Augusto Targino, alerta as pessoas que querem instalar gás natural nos carros deve para fazer a conversão nas oficinas credenciadas. "Estamos alertando aos órgãos de inspeção e eles não podem liberar carros com kits instalados em oficinas irregulares. O risco é grande, até de explosão", contou. No entanto, a procura nas oficinas irregulares é maior, principalmente, porque o preço geralmente é mais baixo que o praticado pelas oficinas credenciadas.

Augusto Targino contou que o órgão não tem funcionários em número suficiente para a fiscalização e, por isso, muitas oficinas continuam abertas. "Não temos como cobrir cem por cento. Nós fazemos a fiscalização, autuamos, mas quando damos as costas as oficinas voltam a funcionar", contou.

Durante todo o dia de ontem, fiscais do Ipem e do Inmetro fiscalizaram várias oficinas em Natal e Mossoró, encontrando muitas irregularidades. "As fiscalizações são periódicas, mas não temos como deixar um fiscal vinte e quatro horas na porta dessas oficinas", justificou. Ele manteve contato com o Detran para que o órgão não emplaque carros com kits de empresas irregulares, mas o órgão ainda deixa muitas brechas aos bandidos. "Se o Detran agisse corretamente esse comércio ilegal vai acabar", afirmou.

Fiscalização deveria coibir roubos e acidentes
A fiscalização nos carros movidos a gás natural veicular é obrigatória, exigida pelo Conselho Nacional de Trânsito, e deve ser feita anualmente. O objetivo da fiscalização é impedir acidentes com carros com instalações mal feitas e com risco de explosão, além de coibir o roubo de kits de gás, uma vez que todo cilindro tem um número de série. O veículo flagrado sem o selo que comprova a fiscalização é apreendido e só volta a ser liberado depois do pagamento da multa de R$ 120.

Para receber o selo de segurança do Inmetro, o carro tem que ser aprovado em uma inspeção técnica que avalia as condições de instalação e manutenção do kit de gás e os itens obrigatórios de segurança, como freios, pneus, sinalização e suspensão. Os testes são feitos em uma máquina que simula várias condições para verificar o funcionamento geral do carro em movimento.

A vistoria custa R$ 80 e deve ser renovada a cada 12 meses. Se o carro for reprovado na primeira inspeção, tem até 30 dias para corrigir as falhas encontradas e voltar ao órgão para receber o Certificado de Segurança Veicular e o selo do Inmetro. Esse selo contém o número do cilindro para evitar que ele seja reinstalado em outro carro, no caso de um roubo, mas o instrumento pode estar sendo usado exatamente para esquentar produtos roubados.

Deverão passar pela vistoria todos os carros convertidos, mesmo aqueles que já têm a mudança de característica registrada no documento do veículo. No organismo de inspeção, o proprietário do automóvel deve apresentar o certificado de capacitação do cilindro de gás, nota fiscal de compra do equipamento, nota fiscal do serviço de instalação do equipamento e o documento do carro. Muitos carros vistoriados são reprovados por causa de gambiarras perigosas que podem, inclusive, causar explosões durante o abastecimento.
SUBSECRETÁRIO - Maurílio Pinto ouviu gravação com bandido explicando esquema
A polícia admitiu ontem que vem investigando de forma sigilosa o esquema de roubo e venda de kits de gás natural veicular há quatro meses. Documentos com os indícios de crime foram apreendidos e, a partir da próxima semana, os suspeitos começarão a ser intimados para depor. A polícia demorou a convocar os suspeitos para evitar dificuldades na obtenção das provas. O delegado responsável pelo caso, Correia Júnior, confirmou que já tem em mãos dezenas de documentos onde cilindros de carros roubados foram esquentados com notas frias.

Correia Júnior é o titular da Delegacia Especializada de Defesa da Propriedade de Veículos e Cargas. Ele explicou que a investigação começou depois do balanço das ocorrências de roubo no ano de 2003. Foram registrados 350 furtos de carros movidos a gás natural durante o ano passado. 90% dos veículos foram encontrados abandonados, mas sem o equipamento de gás. “Percebemos que o interesse não era o veículo. Os bandidos roubavam os carros e um ou dois dias depois a pessoa recuperava o carro sem o cilindro”, contou.

O alvo principal dos criminosos eram carros potentes de uso intenso, que geralmente é convertido para o gás por motivos econômicos, tendo uma grande incidência de roubos em Santanas e Kombis. A polícia passou a investigar como funcionavam os mecanismos de controle dos kits de gás e verificou, in loco, que haviam inúmeras brechas nas inspeções. “Juntamos muita documentação e vimos que não existe controle dos cilindros e redutores por parte do Detran”, disse.

Correia Júnior contou que, com a colaboração do Detran e do Ipem, a polícia passou a analisar documentos oficiais sobre a conversão veicular. Nas primeiras diligências, foram encontrados indícios de irregularidades e outras denúncias foram surgindo. “Analisamos o banco de dados dos processos de instalação e constatamos que a mesma numeração de série de um cilindro estava em vários carros. Também encontramos casos de uso de notas frias”, disse.

O delegado confirmou que está solicitando ao fisco estadual informações sobre empresas que teriam emitido notas fiscais frias. Muitas notas apreendidas pela polícia são da própria Secretaria de Tributação. A polícia informou que como o número de cilindros roubados foi muito alto e parte deles foi revendida por empresas convertedoras, muitas pessoas podem ter sido lesadas ao comprar o cilindro roubado. Além disso, com o uso de notas frias de empresas que já existiram ou existem, alguns empresários foram prejudicados. “Muitos comerciantes de boa fé e consumidores foram lesados”, afirmou.

O subsecretário de Defesa Social, Maurílio Pinto, está a par da investigação e confirma que ouviu uma gravação em que um bandido explica detalhes do esquema. A polícia não quis informar a quantidade de processos apreendidos com suspeitas de irregularidades.

Inspetrans questiona motivo da investigação

Um dos sócios da Inspetrans, Sunday Alexandre Barros de Souza, questiona o motivo pelo qual a empresa dele está sendo investigada. Ele disse que está surpreso com a denúncia em poder da polícia e garante que nos cinco meses de funcionamento da empresa, sempre agiu dentro da legalidade e cumpriu todas as normas de inspeção das conversões para gás natural veicular. Ele afirmou que está disposto a prestar qualquer esclarecimento aos órgãos fiscalizadores. “Tenho todos os relatórios que mostram que as conversões foram legais, que eu sempre trabalhei sério”, disse.

Ana Silva

INVESTIGAÇÃO - Correia Júnior solicitará ao Fisco Estadual informações sobre empresas


O empresário questionou a matéria publicada ontem em que um cilindro roubado foi instalado num carro este ano e passou pela fiscalização da Inspetrans. “A nota citada, na data em que foi feita a conversão, era de uma empresa homologada pelo Inmetro. A Gás Service era homologada e nada me impedia de fazer a inspeção com a nota. Inclusive as notas dessa empresa passaram por outros órgãos de inspeção, como o Seiv e a Cipetrans, que existem há mais tempo que a gente”, argumentou. Ele disse que tem todo o processo da conversão da nota e, se for intimado pela polícia, tem como provar o que está dizendo.

Sunday Alexandre explicou ainda que os organismos de inspeção não têm como saber se um cilindro é roubado. Ele sugere que a polícia envie aos órgãos de inspeção os dados dos veículos com kits roubados. “Não temos nenhum meio para saber se o produto é roubado ou não. Também não temos como saber ou verificar a legitimidade da nota fiscal. A polícia e os órgãos competentes não passam os dados de cilindros e redutores roubados para a gente. Isso é um erro”, contou.

Ele também disse que existe uma brecha que pode facilitar o uso de um cilindro roubado. O empresário explicou que uma pessoa pode ir à Secretaria de Tributação e tirar, sem problemas, uma nota avulsa com os dados do cilindro. Na nota, no caso de uma fraude, por exemplo, o bandido diz que está vendendo o kit, paga o imposto, e pode converter o carro porque o documento é aceito pelas normas atuais. “Se a listagem com os dados de cilindros roubados existissem, isso não aconteceria. Quanto a denúncia de notas frias, os donos deveriam ir ao local onde instalaram o kit para saber se as empresas são fantasmas ou não. Se a pessoa tem a nota é porque foi instalado em algum lugar”, falou.

Sunday Alexandre acha que a empresa dele está sendo investigada por pressões de outras empresas. “Atribuo tudo isso a concorrência, a conflito comercial, haja vista que nós tomamos mais da metade do mercado, porque somos a única empresa potiguar nesse mercado. As outras duas são de fora. Também acho estranho porque houve uma reportagem que só citou o nome da minha empresa e eu não fui procurado em momento algum”, disse.

A Inspetrans, até o momento, é o único órgão de inspeção cujo nome foi divulgado pela polícia. O empresário disse que os outros órgãos de inspeção existem há mais tempo que a empresa dele e, por isso, também deveria ser investigados. “Porque isso não se alastra aos outros órgãos, que estão funcionando há mais de três anos”, questiona.

Ontem pela manhã, o advogado do empresário, Valério Marinho, foi até à Delegacia Especializada na Defesa da Propriedade de Veículos e Cargas para saber sobre a investigação. “Nós colocamos à disposição para esclarecimentos”, contou.

Procon recebe reclamações contra empresas

A irregularidade nos veículos a gás natural não ficam restritas apenas a notas fiscais e a vitoria do Departamento Estadual de Trânsito. Os proprietários de veículos estão sendo lesados também nas próprias empresas instaladoras de equipamentos, que, em alguns casos, instalam irregularmente os equipamentos de gás. O coordenador do Procon estadual, Dari Dantas, afirmou que são muitas as reclamações contra essas empresas. Ele estima que o órgão receba cinco reclamações mensais contra as instaladoras de gás veicular.

“Tem reclamações que o consumidor compra o cilindro de uma capacidade e é instalado outro”, exemplificou Dari Dantas. Ele disse que, nesse caso, além de ser obrigado a entregar o equipamento correto ao cliente, a empresa ainda responde a um processo administrativo. “Isso é má fé””, ressaltou o coordenador. Ele chamou atenção para necessidade das pessoas exigirem a nota fiscal, já que é esse documento que poderá comprovar a lesão.

O comerciante Jean Pablo Maciel Quirino é um dos clientes lesados pela irregularidade na instalação de gás natural. Para instalar um kit de gás no veículo Apolo, ano 1992, ele desembolsou R$ 300,00, sem contabilizar o próprio kit, já que ele foi reutilizado de outro veículo do comerciante.

Surpresa desagradável - A desagradável surpresa aconteceu depois que ele recebeu o veículo na loja e percebeu o pouco rendimento do carro. O cilindro de 16 metros cúbicos era suficiente para rodar apenas 60 quilômetros. Além disso, a velocidade máxima que o carro alcançava era R$ 70 quilômetros.

“Quando levei de volta para loja que instalou eles colocaram a culpa na bobinas, mas desconfiei porque na gasolina o carro rodava normalmente”, disse Jean Pablo.

Ele só descobriu o problema depois que levou o veículo para análise em outra instaladora. Foi quando identificou uma série de erros. O mesclador, peça responsável pela medida correta entre o gás e o ar, estava em posição inadequada.

Além disso, no veículo que deveria ter duas mangueiras e dois injetores, havia apenas uma de cada. O laudo também identificou a desregulagem do motor.

Com todos esses problemas, além dos R$ 300 que havia desembolsado na primeira loja, para consertar o erro ele pagou mais R$ 180. Jean Pablo garantiu que entrará com uma ação de indenização contra a loja.

  Autor: Augusto Gomes





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